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A IA já trabalha sozinha: a corrida dos agentes autônomos chega ao escritório brasileiro

Anthropic, OpenAI e Google lançaram em 2026 modelos que executam tarefas de ponta a ponta. No Brasil, todas as empresas pesquisadas já testam a tecnologia — e o trabalho começa a mudar de forma.

Corredor de data center com servidores iluminados processando modelos de inteligência artificial
Infraestrutura de data centers sustenta a nova geração de modelos de IA capazes de operar de forma autônoma. — Foto: arquivo

O ano de 2026 marcou uma virada no setor de inteligência artificial: os sistemas deixaram de apenas responder perguntas para executar tarefas inteiras sem supervisão constante. Em poucas semanas, as três maiores empresas do setor lançaram modelos desenhados não como assistentes de conversa, mas como agentes capazes de operar softwares, escrever e corrigir código e conduzir processos de trabalho de ponta a ponta.

A largada mais recente foi da Anthropic. Segundo a própria empresa, o Claude Opus 4.8 chegou em 28 de maio de 2026, descrito como seu modelo mais capaz, com avanços em programação, raciocínio agêntico e honestidade. A Anthropic afirma que o sistema é cerca de quatro vezes menos propenso a deixar passar falhas no código que gera, e que um novo recurso chamado "dynamic workflows" permite orquestrar centenas de subagentes em paralelo dentro do Claude Code para migrações de bases de software com centenas de milhares de linhas.

Três gigantes, a mesma aposta

A Anthropic não está sozinha. Segundo o veículo TechXplore, a OpenAI lançou o GPT-5.5 em abril de 2026, posicionado menos como uma evolução do chat e mais como um "runtime de agente" feito para executar ações e sustentar tarefas de múltiplas etapas. "O que é realmente especial neste modelo é o quanto ele consegue fazer com menos orientação", afirmou Greg Brockman, presidente da OpenAI, citado pela mesma reportagem. Para o chefe de pesquisa Mark Chen, o cenário próximo é de humanos atuando como "orquestradores" enquanto a IA assume o trabalho computacional pesado.

A Google seguiu o mesmo caminho no campo corporativo. De acordo com o blog oficial do Google Cloud, a empresa apresentou em 22 de abril o Gemini Enterprise, plataforma de ponta a ponta para a "era agêntica", voltada a construir, orquestrar e governar agentes que executam processos de negócio complexos e de várias etapas. O ecossistema inclui modelos de fronteira, um aplicativo para equipes criarem e compartilharem agentes e conectores com sistemas de parceiros como Oracle, Salesforce e ServiceNow.

O que muda para as empresas

A diferença em relação às ondas anteriores de IA é prática. Em vez de sugerir um texto ou resumir um documento, os agentes prometem concluir o fluxo inteiro: abrir sistemas, preencher campos, comparar dados e entregar o resultado. Nas demonstrações das três empresas, esse salto aparece nos chamados benchmarks de uso de computador e de programação autônoma — testes padronizados que medem se o modelo realmente termina a tarefa. As próprias fabricantes reconhecem que esses números vêm de seus laboratórios e ainda são objeto de comparação no mercado.

Braço robótico em ambiente de automação tecnológica
Agentes de IA passam a executar fluxos completos de trabalho, e não apenas tarefas isoladas.

No Brasil, a adesão é ampla, ao menos no discurso. Conforme o KPMG Global Tech Report 2026, 100% das empresas brasileiras entrevistadas dizem já ter implementado automação e IA, incluindo a agêntica, e 81% afirmam investir em agentes autônomos. A consultoria estima que organizações de alto desempenho obtêm retorno de cerca de 4,5 vezes o valor investido, e que esses ganhos vêm de iniciativas integradas, e não de experimentos isolados.

Cerca de metade das funções de tecnologia ainda deverá ser ocupada por humanos até 2027, sobretudo em papéis estratégicos, analíticos e criativos, segundo o relatório da KPMG — mas 47% dos profissionais brasileiros já dizem se sentir deslocados pela tecnologia.

O trabalho no centro do debate

É justamente nesse ponto que o entusiasmo encontra o atrito. O mesmo levantamento da KPMG aponta que 57% dos executivos brasileiros veem o custo de sistemas legados travar novos investimentos, 60% têm dificuldade de demonstrar o impacto concreto da IA e 58% admitem comprometer segurança, qualidade de dados ou padronização para correr atrás da inovação. A tecnologia avança, mas a operação cobra a conta da pressa.

Equipe de negócios reunida em torno de um laptop discutindo estratégia
No Brasil, empresas correm para integrar agentes de IA, mas esbarram em sistemas legados e governança.

Para o mercado de trabalho, a leitura predominante das fontes é de transformação, não de substituição em massa — pelo menos por ora. O movimento desloca tarefas repetitivas e valoriza competências complementares à máquina, como liderança, pensamento crítico e capacidade de orquestrar agentes. O recado para profissionais e empresas brasileiras é parecido: a IA que trabalha sozinha já chegou, e a vantagem competitiva dependerá menos de adotar a ferramenta e mais de saber governá-la, integrá-la e supervisioná-la com critério.

Com informações de: Anthropic, Google Cloud, TechXplore e KPMG Global Tech Report 2026.

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