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Economia · Política Monetária

Copom corta a Selic para 14,25% sob pressão da guerra e da inflação acima do teto

Banco Central reduz os juros pela terceira vez no ano, mas o conflito no Oriente Médio que mantém o petróleo elevado e o IPCA furando a meta acende o sinal amarelo para o próximo passo da política monetária.

Fachada da sede do Banco Central, onde o Copom decide a taxa Selic
Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano na reunião de 16 e 17 de junho.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,5% para 14,25% ao ano, conforme antecipava a maioria do mercado consultada pela Reuters.

É o terceiro corte de 2026: a taxa, que chegou a 15% no início do ano, vinha sendo aliviada aos poucos. Mas, desta vez, o gesto veio acompanhado de um forte tom de cautela.

Segundo a Agência Brasil, a decisão foi tomada em um cenário incomum, com a inflação rompendo o teto da meta e um conflito externo empurrando os preços da energia para cima.

Por que o corte foi tão disputado

Até a véspera, o mercado estava dividido entre cortar 0,25 ponto ou simplesmente pausar o ciclo de afrouxamento. A dúvida cresceu depois que a inflação de maio veio acima do esperado.

De acordo com o IBGE, o IPCA subiu 0,58% em maio e acumula 4,72% em 12 meses — acima do limite superior da meta, hoje fixada em 3% com tolerância até 4,5%.

Pior: o boletim Focus, do Banco Central, mostra o mercado projetando IPCA de 5,30% para o fechamento de 2026, a 14ª alta seguida na estimativa.

O fator Oriente Médio no seu tanque

O pano de fundo dessa inflação resistente tem nome: a guerra entre Israel e Irã, iniciada em fevereiro, que mantém o mercado global de energia em tensão.

Como mostrou a Agência Brasil, o governo passou a monitorar de perto o mercado de combustíveis diante do risco de novos repasses nas bombas.

O barril de petróleo Brent ronda os US$ 93, pressionado pela insegurança nas rotas do Estreito de Ormuz, por onde escoa boa parte do petróleo mundial, apurou a Reuters.

Na prática, energia mais cara chega à sua conta de luz e ao posto de gasolina — a própria energia elétrica residencial subiu 3,67% em maio e foi o item de maior peso individual no índice.

O que muda no seu bolso

A Selic é o termômetro de quase todo o crédito no país. Quando ela cai, tende a ficar mais barato financiar a casa, o carro e parcelar compras.

Na teoria, um corte alivia as prestações de novos financiamentos e do cheque especial. Mas, com apenas 0,25 ponto de redução e juros ainda em dois dígitos, o efeito no dia a dia será modesto.

Para quem tem dívidas no cartão de crédito, a recomendação dos especialistas segue a mesma: priorizar a quitação, porque os juros do rotativo permanecem entre os mais altos do mercado.

Gráfico
Dados do período. — Fonte: Banco Central

Quem investe ainda colhe juros altos

Do outro lado do balcão, o cenário é favorável a quem aplica em renda fixa. Com a Selic ainda em 14,25%, títulos atrelados à taxa básica continuam pagando rendimentos robustos.

Tesouro Selic, CDBs e fundos DI seguem como abrigo natural em tempos de incerteza, oferecendo retorno elevado com baixo risco.

Já a poupança perde atratividade nesse ambiente, rendendo bem menos do que aplicações que acompanham de perto os juros oficiais.

Chaves de uma casa sobre a mesa com fundo de imóvel
Selic mais baixa tende a baratear financiamentos imobiliários, mas o alívio ainda é pequeno.

O recado do Banco Central

Mais importante do que o corte em si foi o tom do comunicado. O Copom indicou que os próximos passos não estão garantidos e que pode interromper o ciclo de quedas caso a inflação continue piorando.

Para o consumidor, a mensagem é clara: o alívio nos juros existe, mas é frágil e depende do exterior. Adiar compras grandes esperando crédito muito mais barato pode não ser a melhor aposta neste momento.

Com a inflação acima do teto e a guerra mantendo o petróleo caro, o Banco Central corta os juros com o pé no freio — e avisa que pode parar a qualquer momento.

Com informações de: Agência Brasil, Reuters, Banco Central e IBGE.

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